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Descobrimento das Águas e Colonização

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O Descobrimento

A história de Goiás se inicia no fim do século XVI, quando as explorações portuguesas limitavam-se apenas à região do litoral. A caça ao índio, a busca por riquezas minerais e a evangelização foram então os principais responsáveis pela exploração do centro-oeste. O desbravamento inicial da região deve-se aos missionários do norte e aos bandeirantes do sul. Já no século XVII, em função da catequese empreendida pelos jesuítas na Amazônia, missionários sob a chefia de frei Cristóvão de Lisboa percorrem a área do Tocantins, onde fundam missão religiosa em 1625. Os primeiros habitantes da região eram os índios caiapó e xavante. Como todos os nativos, andavam nus, alimentavam-se da pesca e caça, cultivavam sua alimentação, fabricavam suas armas, cerâmicas, instrumentos musicais e trabalhos com fibras vegetais. Acreditavam no seu deus e para ele dançavam e cantavam.

A princípio, Goiás fez parte da Capitania de São Paulo, mas, em 1744, foi criada a Capitania de Goiás. Ainda que a mineração em Goiás tenha tido uma vida efêmera, “Goiás entra na história como as ‘Minas dos Goyazes’” (PALACIN, 1872, p. 25). O governo português adotou medidas com o fim de resguardar a riqueza aurífera do vasto território brasileiro, deixando a Província de Goiás muito isolada. Os paulistas Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, João Leite e Domingos Rodrigues do Prado, em troca da isenção de impostos pela passagem dos rios da região, por três gerações, e outras vantagens, saem de São Paulo em 1722 para descobrir as abundantes lavras de Goiás. Caldas Novas pertencia a Capitania de São Paulo, quando Brasil era colônia de Portugal.

1ª Expedição

Bartolomeu Bueno da Silva, acompanhando seu pai, Francisco Bueno, partiu de São Paulo em 1682 em sua primeira expedição e atravessou o território do atual Goiás e seguiu até o rio Araguaia. Ao retornar desse rio à procura do curso do rio Vermelho, encontrou uma aldeia indígena do povo Goyá. Diz a lenda que as índias estavam ricamente adornadas com chapas de ouro e, como se recusassem a indicar a procedência do metal, Bartolomeu Bueno da Silva pôs fogo a uma tigela contendo aguardente afirmando severamente que, se não informassem o local de onde retiravam o ouro, lançaria fogo em todos os rios e fontes. Admirados, os índios informaram o local e o apelidaram Anhangüera (em tupi añã'gwea) diabo velho - o genérico tupi aportuguesado para anhangá significa diabo ou espírito maligno, mesmo prefixo usado no topônimo paulistano Anhangabaú. O Anhangüera foi o último dos grandes bandeirantes a desvendar os caminhos para o oeste tornando conhecido o alto sertão brasileiro.

A Chegada

Em 1722, 40 anos mais tarde, Bartolomeu Bueno da Silva partiu de São Paulo com a intenção de novamente se embrenhar pelo sertões que percorrera com o pai. Em julho de 1722, Bartolomeu Bueno da Silva, após desviar do caminho trilhado pelo seu pai, encontrou a sua frente uma gigantesca montanha de grande imponência no horizonte. Qual não foi o seu espanto ao se deparar com uma nascente de águas termais em pequenos círculos, de onde se formava um caudaloso ribeirão. No cenário notável deste lugar, fez seu acampamento para que pudesse se deleitar naquelas águas, e deram o nome de Caldas Velhas ao local que, atualmente, abriga a Pousada do Rio Quente.

Contornando a serra, explorando pelas encostas, encontrou outras fontes menores, mas, com temperaturas mais elevadas. Na época do Anhanguera já se falava da pepita de 15 kg achada no Rio Quente. A linda serra com a sua mágica atraia os garimpeiros e todo tipo de sonhadores. Os pioneiros encontravam as águas e logo se deslumbravam pela paisagem e conforto do Rio Quente, dizem que a chapada podia ser vista do Caminho do Anhanguera. Porém, como não conseguiu encontrar as almejadas pepitas de ouro e nem as promissoras jazidas, segue rumo ao norte.

Durante três anos essa nova expedição, sob seu comando, andou pelos sertões à procura dos antigos sítios. Não os reencontraram, mas chegaram a fundar um núcleo chamado Barra, que em 1727 foi transferido para as margens do rio Vermelho com o nome de Arraial de Sant'Anna, mais tarde se tornando a Vila Boa de Goyaz (ortografia arcaica), que hoje é a Cidade de Goiás. Bartolomeu Bueno faleceu no dia 19 de setembro de 1740 no Arraial da Barra aos 70 anos de idade. Em 1777, Martinho Coelho de Siqueira, bandeirante paulista e ancestral do escritor Jacy Siqueira, vindo de Santa Luzia (atual Luziânia), chegou para se estabelecer nos sítios onde havia sido encontradas as Caldas de Santa Cruz como eram então conhecidas essas fontes.

Martinho Coelho de Siqueira, numa de suas conhecidas caçadas de animais silvestres, assistiu a agonia dos seus cães, que estavam caçando um veado, quando caíram nas fontes termais e se escaldaram, fazendo grande barulho e chamando a atenção de seu dono.  “Essa cena foi motivo de um quadro a óleo, pintado em 1862 por Félix Taunay, que se encontra no museu da Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro.”

O começo

Iniciava-se assim o começo da história. Martinho Coelho deu àquelas terras o nome de Caldas de Pirapetinga, e a outras às margens do Córrego Lavras, o nome de Caldas Novas, em oposição à cidade de Caldas Velhas – GO. Lagoa quente ou Lagoa do Pirapetinga era o nome que os índios deram a um peixe que vivia nessa água, e que significa peixe branco. O descobridor requereu, então, sesmaria na região e construiu, na margem esquerda do referido córrego, uma propriedade a que denominou Fazenda das Caldas (atualmente essa área pertence ao SESC). Junto a ela formou-se a primeira povoação, constituída por garimpeiros, além de alguns enfermos, atraídos pelas águas termais. Após fixar sua moradia ali, fundou um arraial que, em pouco tempo, foi ocupado por casas de sapé situadas às margens do Ribeirão das Lavras, cujo nome se devia à grande quantidade de ouro aluvial existente.

A história do poder milagroso de cura das Águas termais do Pirapitinga se alastra por todo o Brasil, aonde cada dia chegavam mais pessoas em buscas das curas terapêuticas das águas termais. Os proprietários das áreas das fontes termais decidiram então cobrar pequenos tributos dos que se serviam dessas águas milagrosas. Construíram para isso banheiras de pau a pique com bicas de madeiras e poços. No povoado foram construídas ainda compridas casas para alojamento de enfermos, entre os quais aqueles com graves doenças de pele, o que de certa forma afastou as pessoas sadias da “estância”, levando a interdição pelos seus proprietários, que acabaram queimando todos os ranchos e proibindo a permanência de doentes graves no povoado.

Martinho Coelho de Siqueira, com a ajuda de seus escravos e a seu filho Antônio Coelho de Siqueira trabalhou na mineração por duas décadas consecutivas. Nos fins de 1779, com o esgotamento do ouro, Martinho volta para sua terra de origem e deixa para o seu filho a Fazenda das Caldas e os terrenos em volta do córrego, com as reservas auríferas já se exaurindo, no ano de 1808. Tenente Coelho, como era conhecido, prosseguiu a rotina de seu pai no que diz respeito à extração de ouro de aluvião cujas reservas já se achavam em decadência, valendo-se de poucos escravos que possuía.

Com ajuda dos moradores das adjacências o tenente tentou novas frentes de mineração um pouco distante do córrego caldas onde ainda existe vestígio das lavras (hoje Bairro Bandeirante). Onde “foi aproveitada uma grande escavação na encosta do morro para a construção do empreendimento Pousada Termas das Pirâmides”. Para facilitar a lavagem do cascalho, mandou construir um açude no córrego desviando o curso das águas para o local do garimpo. Homem generoso, honesto e, sobretudo hospitaleiro, o tenente Coelho gozava de grande conceito entre os membros da pequena comunidade que se instalaram em seus terrenos.

No ano de 1818, o Governador de Goiás Dr. Fernando Delgado Freire Castilho, movido pelo buchicho de que as águas termais curavam, fez uma visita a Caldas Novas, se hospedando na casa do Tenente Coelho, veio para o tratamento do artritismo. Sua gratidão foi tanta com o anfitrião, que ofereceu uma grande ajuda em dinheiro para que o Tenente Coelho pudesse fazer melhorias em sua propriedade inclusive para a construção de dependências para alojar-se quando de suas futuras visitas a Caldas Novas. Mandou fazer uma grande propaganda das águas quentes, e essa propaganda oficial atraiu muitos homens ilustres. Dentre eles, o botânico francês Auguste de Saint Hilaire, que em 1819, realizava uma pesquisa pelo Brasil, depois de passar pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e Minas Gerais, veio para Goiás. Com a morte do Tenente Coelho em 1848, a viúva Eufrásia Maria Leite de Arruda de Sá vendeu todas as terras que tinha em Caldas Novas a Domingues José Ribeiro, as terras que lhe couberam de herança, que por sinal nenhuma benfeitoria fez ali.